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Você é quem você sonhava? #2 Arthur Ribeiro

  • 3 de jan. de 2018
  • 4 min de leitura

O segundo texto da série especial “Você é quem você sonhava?” conta um pouco dos sonhos do pequeno Arthur, de 5 anos. Confira abaixo.

“Arthur - O baterista coelho"

Assim que um estudante de jornalismo ingressa na faculdade, uma das primeiras lições que o foca (forma como os aspirantes a jornalistas são chamados) tem na sala de aula é sobre como realizar uma boa entrevista. A entrevista é como o esqueleto da reportagem ou de qualquer outro texto que o jornalista produz. Saber conduzir uma entrevista da forma adequada e conseguir retirar do entrevistado boas respostas faz com que o jornalista ganhe o dia.


Contudo, mesmo com as técnicas que podem ser assimiladas, a maior parte do aprendizado vem da prática. Saber se adaptar às mais variadas - e inusitadas - situações é o que define se o entrevistador vai conseguir conduzir a entrevista de forma adequada e, consequentemente, “retirar” do entrevistado aquilo que busca.


Durante esses quase quatro anos de produção jornalística na universidade, essa talvez tenha sido a entrevista mais difícil e recompensante desse período. Isso porque entrevistar uma criança exige um grande jogo de cintura, mas rende ao jornalista as respostas mais sinceras de quem vê o mundo de uma forma diferente dos adultos.


A FOCUS foi até a casa do pequeno Arthur Ribeiro, de 5 anos. Arthur mora junto de sua mãe em uma casa próxima da movimentada avenida que liga vários pontos da cidade, a Avenida Duque de Caxias, em Bauru, interior de São Paulo.


Ao chegarmos na residência, fomos recebidos pela Ana, tia do Arthur. Enquanto entramos, ela já adianta: “Ele estava super ansioso! Acabou de me perguntar: ‘E o seu amigo? Não vai vir?”. Ao entrarmos, o pequeno corre em nossa direção e nos cumprimenta. Nos acomodamos e ele vai até o quarto para pegar alguns brinquedos - em sua maioria, de lego.


Sento junto dele no chão e começamos a brincar. É o momento onde devo deixar a vergonha de lado e voltar a ser criança. Demoro cerca de meia hora entre as montagens dos carrinhos de lego e a primeira pergunta. Ainda sim, preciso da ajuda de Ana para começar a entrevista. “Arthur, o José quer te fazer uma pergunta”, diz Ana. E ele responde: “Pode perguntar!”.


Perco um pouco da timidez e explico sobre a revista de forma simples, ou seja, que eu iria perguntar algumas coisas e depois tiraria uma ou outra foto dele. “Claro! Pode perguntar e pode tirar as fotos sim”. Arthur é um menino proativo e falante - o que facilita o trabalho de quem vos fala. Mesmo com 5 anos, ele já consegue expressar que os sonhos que sonhamos enquanto acordados são diferentes daqueles que sonhamos enquanto dormimos.


“O sonho é o que se realiza quando você fica bem grande, adulto. Quando você é criança o sonho não se realiza”, diz Arthur enquanto brinca com os legos. Segundo ele, esse sonho é diferente daquele que acontece enquanto dormimos: “Uma vez eu tive um pesadelo tão forte que me fez tremer a noite inteira, me assustou demais. Tive que beber água com açúcar para passar”, diz. Pergunto também o que ele quer ser quando crescer e ele responde prontamente: “Um baterista coelho!”. Solto uma risada e recebo um olhar de estranhamento por parte dele que não entende o motivo da risada.


Ana explica que essa vontade veio de um filme, “Hop - O Rebelde Sem Páscoa” onde o protagonista, o coelho da páscoa, deseja ser um baterista e recusa ser o coelho da páscoa. Enquanto ela me mostra o trailer do filme, Arthur corre no quarto e pega duas baquetas e a tampa de uma caixa de plástico para mostrar que sabe tocar bateria, acompanhando o ritmo do filme no trailer que passa no celular de Ana.


“Quando eu crescer vou ter seis anos e vou tocar bateria quando eu for grande”, afirma de forma contundente. Então, questiono: “Mas se você vai tocar bateria e ter seis anos quando for grande, o que você era quando pequeno?”, ele responde: “Eu tinha um ano e quando eu era pequeno, eu era uma sementinha na barriga da minha mãe. Agora eu tenho 5 anos e eu sei fazer kung fu”. O final da resposta é acompanhado dos movimentos de kung fu que ele já sabe. Esse é o momento que tiramos as fotos que você pode conferir na versão impressa da FOCUS.



“Eu tinha um ano e quando eu era pequeno,

eu era uma sementinha na barriga da minha mãe.

Agora eu tenho 5 anos e eu sei fazer kung fu”


Apesar de não falar muito da escola, o pequeno gosta de falar dos amigos. Enquanto nos encaminhamos pro final da entrevista em meio aos legos e as miniaturas dos super heróis Thor e Hulk, uma amiga de Arthur chega e logo sou deixado de lado. Ele vai até o quarto e pega outro brinquedo para que os dois possam brincar.


De todas as lições que podemos aprender, talvez aquilo que Arthur, uma criança, pode nos ensinar é que, assim como o coelho Hop, julgado como rebelde por não querer ser o coelho da páscoa, nós também não estamos predestinados a nada, podemos ser aquilo que quisermos. Afinal, qual o problema em querer ser um baterista coelho?

 
 
 

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